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Francisco José SOARES FEITOSA vem do Ceará, precisamente
da região dos Inhamuns, para revolucionar, com poemas calcados na
informática, na eletrônica, e feitos de criatividade, o mundo
estético-literário de nossos dias.
Sem descer ao poema, protesto que se perdeu na luta inglória do presente contra o passado, da primeira geração do Modernismo, Soares Feitosa, poeta de grande formação humanística e de inegável dimensão de universo - consegue traduzir, com suporte no ritmo psicológico, o sofrimento dos irmãos nordestinos pelo flagelo das grandes estiagens, embora sempre altivos, “resistindo e morrendo, morrendo e resistindo”, na feliz expressão do imortal Demócrito Rocha, no poema o “Rio Jaguaribe”.
Além disso, sabe retratar, com fidelidade, a resistência heróica
da sua gente, na mencionada região dos Inhamuns, em lutas sangrentas
entre famílias tradicionais.
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| Um segundo escrito:
Tive a satisfação de receber Talvez Outro Salmo. Considero
simplesmente encantador e surpreendente esse desfecho do saber eterno:
de nunca escreverem uma única linha em linha reta? — Porque é da Tua boca, Senhor,
E passei alguns momento embevecido com a magia estonteante da singularidade
dos versos de Uma Canção Distante e tão dentro da
alma da gente!
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| E mais este:
Para ler e entender Soares
Feitosa, com a idade cronológica de 82 anos, talvez necessite da
acuidade mental de um jovem de 28. Haverá coincidência na
inversão dos algarismos?
Soares Feitosa, através
de sua veia estético literária, recua no espaço e
no tempo. Verdadeiro escafandristaa, mergulha em outras eras, na origem
das coisas, noi Livro dos livros — a Bíblia — notadamente
nos Salmos, para fisgar os segredos do Cosmos em Psi, a penúltima.
Deixa refletir em cada poema a renovação da vida, do homem,
e da arte, a simplicidade de usos e costumes antigos revitalizados na modernidade,
ao sabor do Pastoralismo, sem artifícios prosaicos. Quanto à
forma, trata-se em geral de poemas longos. O leitor, por vezes, até
se perde, se não tomar cuidado, no emaranhado de versos (brancos
ou soltos), em estrofes heterométricas, feitas de ritmo psicológico.
Via percorrendo, não raro, a seqüencia dos versos e tem a impressão
de que o poema se desfaz em prosa. Até parece haver descambado para
o gênero ensaístico, sob a forma de crônica leve, fronteiriça,
não da loucura, mas do gênero lírico. O poeta sabe
penetrar, por exemplo, bem dentro, com sutileza, em Poemetos:
num silêncio de folhas, que também de telhas... as telhas de um céu insuportavelmente estrelado "A chegada de Soares Feitosa, disse Artur Eduardo Benevides, o Príncipe dos Poetas Cearenses — é um episódio de significação marcante. E quem o ignorar não sabe o que é poesia" E ele chegou para fazer a revolução estética no mundo das letras, para fazer transbordar o seu lirismo (entre louco e sublime), às vésperas do terceiro milênio, ó grande enamorado das musas, na beleza do seu estro fora do comum, longe dos cálculos dosimétricos de sabor prosaico. Seja bem-vindo, Soares Feitosa. Deus o proteja. (Diário do Nordeste, Fortaleza, CE, 20.08.1997) |